quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Registro Cometa C/2024 G3 (ATLAS) em Patos de Minas

 A passagem do Cometa C/2024 G3 (ATLAS) no hemisfério austral nos prestigiou com a possibilidade de belos registros. Em Patos de Minas conseguimos um céu com pequenas janelas entre as características nuvens de verão na noite de sábado, 18 de Janeiro de 2025. Os registros foram feitos utilizando celular e projeção positiva em telescópio (SW 200 mm). A olho nu pudemos apreciar um dos cometas mais brilhantes dos últimos anos. Certamente foi inesquecível para muitos que, pela primeira vez puderam observar um cometa. 


















quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Eclipse Solar Anular de 14 de outubro de 2023


Mais uma aprazível efeméride astronômica nesta reta final de 2023! Teremos no dia 14 de outubro, no final da tarde, um eclipse solar: eclipse anular em uma estreita faixa do Norte e Nordeste do Brasil e parcial nas demais regiões. O eclipse anular é caracterizado pela dinâmica celeste onde a Lua, localizada entre a Terra e o Sol, está a uma distância que não consegue encobrir o Sol completamente, gerando uma espécie de "anel" luminoso ao redor da Lua. Porém, o observador em Terra deve estar alinhado com a Lua e o Sol, e isso só ocorrerá em uma pequena faixa que percorre o Norte e o Nordeste do Brasil, além de países da América Central e os Estados Unidos. Já nas demais regiões, a Lua encobrirá somente uma parte do Sol, caracterizando nesses casos um eclipse parcial do Sol. O último eclipse anular que tivemos aqui no Brasil foi em 1995. E o próximo será em 2067. Logicamente, ocorrerão outros eclipses solares totais e anulares, mas não serão vistos daqui do Brasil. 

Em Patos de Minas e em todo o Alto Paranaíba mineiro teremos um Eclipse Solar Parcial, com cerca de 55% do Sol coberto pela Lua. Na capital do milho o disco lunar tocará o disco solar por volta das 15:30h, com pico do eclipse às 16:47h. 

É importante lembrar que para ver o eclipse é recomendado óculos específico para esse fim, com um filtro solar especial. Na ausência desse, utilizar vidro de máscara de solda número 14 e certificar de que ele atende as normas ISO, além disso, olhar somente por 20 segundos e "descansar" as vistas. A luz solar emite espectros de ondas que não são detectadas pelos nossos olhos e podem causar danos irreversíveis à visão. NUNCA usar "chapas de RX" ou óculos de Sol para observar o eclipse. Embora a prática popular no passado de se usar plástico de RX para este tipo de observação fosse muito comum, este material não filtra a radiação solar, podendo causar sérios danos à visão. Além disso, use bonés, protetor solar para pele e beba bastante água, principalmente se estiver com crianças na observação. O Observatório de Astronomia de Patos de Minas fará a cobertura completa deste eclipse de 2023. 




sábado, 9 de abril de 2022

ENCONTRADA A GALÁXIA MAIS ANTIGA NO UNIVERSO, À 13,5 BILHÕES DE ANOS



Descoberta por uma equipe de astrônomos japoneses, usando vários telescópios em todo o mundo, a galáxia HD1 é a mais distante no tempo, localizada a 13,5 bilhões de anos atrás. Isso é surpreendente: apenas 300 milhões de anos após o Big Bang! A divulgação acontece logo após a descoberta de Earendel, a estrela mais distante no tempo, a 12,9 bilhões de anos. É uma viagem no tempo da mais elevada ordem:  HD1 pode não mais existir, mas sua luz ainda está viajando em nossa direção.

HD1 foi encontrada usando 1.200 horas de observações e dados obtidos pelo Telescópio Subaru, Telescópio VISTA, Telescópio Infravermelho do Reino Unido e Telescópio Espacial Spitzer.  A equipe então realizou observações de acompanhamento usando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) para confirmar a distância, que é 100 milhões de anos a mais do que GN-z11, a atual detentora do recorde para a galáxia mais distante. 

O artigo científico descrevendo a descoberta, foi publicado ontem, dia 7 de abril de 2022, no The Astrophysical Journal, com o título de "A Search for H-Dropout Lyman Break Galaxies at z~12-16”. “Foi um trabalho muito difícil encontrar a HD1 entre mais de 700.000 objetos”, diz Yuichi Harikane, o astrônomo que descobriu a galáxia. “Mas sua cor vermelha combinava surpreendentemente bem com as características esperadas de uma galáxia a 13,5 bilhões de anos.

A cor da HD1 é vermelha porque o comprimento de onda de sua luz é dilatado ao longo do tempo enquanto viaja pelo espaço, desviando para o lado vermelho do espectro eletromagnético (redshift z = 13.3).  Como o Universo está se expandindo, galáxias muito distantes parecem se afastar de nós a velocidades maiores do que galáxias mais próximas. 

O que também é surpreendente na HD1 é sua extrema luminosidade. Ela é particularmente brilhante na luz ultravioleta,  indicando atividade altamente energética. Portanto é considerada uma galáxia formadora de estrelas muito ativa, e estima-se que esteja formando mais de 100 estrelas a cada ano, uma taxa 10 vezes superior que a média. Um buraco negro supermassivo no centro, no entanto, também poderia explicar sua extrema luminosidade: à medida que absorve enormes quantidades de gás, fótons de alta energia podem ser emitidos pela região ao redor do buraco negro.

Já está na programação do Telescópio Espacial James Webb  observar a HD1 ainda este ano, confirmar sua existência e descobrir suas propriedades físicas. 

Então, por enquanto, a HD1 é considerada uma galáxia “candidata” até que seja confirmada por uma equipe diferente de cientistas usando equipamentos ou métodos distintos. É assim que a ciência funciona.

https://arxiv.org/abs/2112.09141


Créditos: Paulo Leme

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

sábado, 22 de maio de 2021

Eclipse Lunar Total 26/05/2021

O eclipse total não poderá ser observado do Brasil, mas algumas cidades poderão acompanhar o seu início. Em Manaus, por exemplo, o início do eclipse parcial poderá ser observado a partir de 05:44h (horário local), mas como a Lua estará a menos de 3o do horizonte se pondo cerca de 14 minutos depois, pouca coisa poderá ser realmente observada. Em Porto Alegre o início será de 06:44h com a Lua a cerca de de 4o, o máximo local será às 07:03h, instantes antes da Lua se pôr. Infelizmente a maior parte do país só poderá observar o eclipse penumbral, que dificilmente pode ser percebido.

Os melhores locais para observação desse eclipse serão na Nova Zelândia e leste da Austrália. Observadores localizados em cidades a oeste da América do Sul como Santigo no Chile e Lima no Peru poderão ver parte do eclipse total, com a Lua se ponto totalmente eclipsada. Cidades a oeste dos Estados Unidos e México como Los Angeles e Cidade do México também poderão ver a totalidade, mesmo a Lua já estando baixa no horizonte.

Em Patos de Minas não teremos a oportunidade de observar o fenômeno uma vez que a Lua estará se pondo no horizonte.



Ratificando que a totalidade do eclipse não será observada no Brasil. 


         Figura 10: Mapa do eclipse lunar 26/05/2021. Fonte: https://www.timeanddate.com/eclipse/lunar/2019-january-21

quarta-feira, 19 de maio de 2021

25 de Maio - Dia do Mourão!




Produção: Vera Pinheiro /MCT Filmagem/edição: César Ferreira/ FINEP Todos os créditos e direitos aos autores acima, a quem deixamos nossos agradecimentos. O Observatório fez a adaptação e divulgação do vídeo.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935 – 2014) foi um dos mais importantes astrônomos brasileiros. Dedicou-se incansavelmente à divulgação de Astronomia. Com centenas de artigos publicados para o público geral, inspirou gerações de jovens astrônomos. Foi idealizador e fundador do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), no Rio de Janeiro em 1984. Sua área de atuação profissional era em estrelas duplas e objetos do Sistema Solar. Foi também um dos fundadores da SAB (Sociedade Astronômica Brasileira em 1974).

No início dos anos 60, Ronaldo, como
astrônomo, foi dos primeiros a obter resultados com repercussão internacional. Depois se destacou com talento e conhecimento em história da ciência e da astronomia, promovendo com maestria sua popularização e divulgação. Conseguia motivar as pessoas de forma única, atrativa, apaixonada, sem nunca transigir com o rigor que a ciência requer, cativando gerações de admiradores e interessados em todos os níveis de educação e de idade. Foi o primeiro brasileiro a ter um asteroide com seu nome; realmente, o asteróide 2590 descoberto em 22 de maio de 1980 foi batizado com o nome Mourão, em homenagem “ao seu trabalho sobre estrelas duplas, pequenos planetas e cometas, além da criação do Museu de Astronomia e Ciências Afins”. Participou extensivamente do programa de descoberta e observação de pequenos planetas no ESO - European Southern Observatory.

Em 28 de novembro de 1984, foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro com o título Moção de Louvor pelo seu trabalho “Astronomia do Macunaíma” - voltado para o folclore ameríndio, abordando em sua obra o que o atinge mais de perto: mitos, lendas, relativos aos astros e fenômenos celestes, caracterizando-se como observador da correlação existente entre as lendas indígenas e aspectos da observação astronômica - por sugestão do Deputado Estadual José Talarico.

Muitos se tornaram astrônomos profissionais. Devemos um enorme tributo de reconhecimento pelas suas contribuições na ciência e sua disseminação.



Abaixo, outras atividades de destaque do nosso célebre astrônomo: doutor pela Universidade de Paris (Sorbonne), criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro. Professor visitante da Universidade do Vale do Acaraú, Sobral, Ceará. Membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Filosofia, da Academia Carioca de Letras e da Academia Luso-Brasileira de Ciências, Letras e Artes. Membro da Real Academia de La Historia e da Royal Astronomical Society (Londres), Société Astronomique de France (Paris); Société de Géographie (Paris), Sociedade geográfica de Lisboa (Portugal); membro correspondente da Academia Nacional de la Historia, Buenos Aires, Argentina; foi correspondente do Instituto Histórico e Geográfico del Uruguay, Montevidéu, Uruguai e da Real Academia de la Historia, Madrid, Espanha. Membro da Comissão 26: Estrelas Duplas Visuais; membro da Comissão 42: História da Astronomia; membro da Comissão 20: Asteroides e Cometas da União Astronômica Internacional (UAI).

Primeiro contemplado com o Prêmio José Reis da divulgação científica, instituído pelo CNPq (1979).

quinta-feira, 4 de março de 2021

O temido Asteroide Apophis se aproxima da Terra e é vigiado de perto por astrônomos


Por Marcelo Zurita


Astrônomos de todo o planeta estão de olho no Asteroide Apophis, um dos mais temidos pela humanidade. Eles estão aproveitando sua aproximação da Terra para estudar a gigantesca rocha espacial. E essa será a melhor oportunidade de observação desse asteroide antes de 2029, quando o Apophis fará uma passagem de arrepiar.

Descoberto em junho de 2004, o Apophis fez uma aproximação da Terra, nos últimos dias daquele ano, que deixou a comunidade internacional em polvorosa. Percebeu-se que havia uma chance dele atingir nosso planeta em abril de 2029, curiosamente em uma sexta-feira, 13. Naquela época, à medida que novas observações eram adicionadas aos cálculos, a possibilidade de impacto aumentava. As chances de impacto chegaram aos 2,7%, o que causou certa apreensão em todo o planeta.

 

Asteroide Apophis (pequeno ponto no centro da imagem) registrado no Hawaii – Imagem: Universidade do Hawaii

 

Esse asteroide tem cerca de 340 metros de diâmetro médio (450 metros de comprimento), 41 milhões de toneladas e energia equivalente a 60 mil bombas de Hiroshima. Se ele atingisse a Terra, seria capaz de devastar milhares de quilômetros quadrados e causar dezenas de milhões de mortes. Fica fácil entender porque ele recebeu o nome de Apophis, o Deus egípcio do caos e da destruição.

 

Tamanho do Asteroide Apophis (450m) comparado ao Empire State em Nova Iorque (443m), à Torre Eifel em Paris (324m) e ao Pão de Açúcar no Rio de Janeiro (390m) – Imagem: Asteroid Day Brazil

 

Felizmente, com o refinamento dos cálculos orbitais ainda em 2004, concluiu-se que não há chances de impacto em 2029. Entretanto, ele fará uma aproximação da Terra de arrepiar, passando perigosamente próximo do cinturão de satélites geoestacionários e a cerca de 32 mil km da superfície do nosso planeta. Tão perto que poderá ser visto a olho nu de alguns locais do planeta, incluindo parte do Brasil.

 

Aproximação do Apophis em 2029 passando bem perto dos satélites geoestacionários (pontos azuis) – Imagem: NASA/JPL-Caltech

 

Após o susto inicial, alguns astrônomos passaram a se preocupar com a possibilidade de que um desvio orbital, provocado nessa aproximação em 2029, pudesse colocar o Apophis em rota de colisão com a Terra em 2036 ou 2068. Mas um estudo publicado em 2013 afastou a chance de impacto em 2036 e reduziu para quase zero as possibilidades em 2068. Só que não dá pra relaxar com um asteroide tão perigoso rondando nossa vizinhança.


 Desvio esperado na trajetória do Apophis provocado pela interação gravitacional com a Terra durante a aproximação de 2029 – Imagem: NASA/JPL

 

Recentemente, um novo estudo, publicado por astrônomos da Universidade do Hawaii, mediu a influência do Efeito Yarkovsky na órbita do Apophis. O Efeito Yarkovsky é uma pequena força provocada pela radiação térmica de pequenos corpos em rotação no espaço. Dependendo do sentido e velocidade de rotação, da temperatura média e do albedo, o índice de refletividade do asteroide, o Efeito Yarkovisky pode empurrar ou puxar o objeto em direção ao Sol. 

O estudo foi chefiado por David Tholen, que foi um dos descobridores do Apophis em 2004. Analisando novas medições, feitas a partir do Telescópio Subaru, de 8,2 metros, no Hawaii, Tholen e sua equipe concluíram que o Efeito Yarkovisky está provocando um deslocamento de 170 metros na órbita do Apophis a cada ano. Parece pouca coisa, mas para um asteroide com órbita tão próxima da Terra, esse pequeno deslocamento acumulado ao longo dos anos pode ser a diferença entre uma aproximação muito próxima e um impacto catastrófico.

Considerando o desvio cumulativo na órbita do asteroide, a equipe revisou para cima as chances de impacto em 2068. Apesar da possibilidade ser muito baixa ainda, cerca de 0,00067%, o estudo reforça a necessidade de acompanharmos de perto o Asteroide Apophis.

E é justamente isso que vários astrônomos de todo o planeta estão fazendo. Nesse momento, o Apophis está passando a cerca de 17 milhões de quilômetros da Terra, o que não é tão próximo, mas cria uma excelente janela de observação. Por isso, a IWAN – Rede Internacional de Alerta de Asteroides criou a “Campanha de Observação do Apophis 2021”, que visa aprender o máximo possível a respeito dessa rocha espacial antes de sua maior aproximação em 2029.


Asteroide Apophis registrado pelo Observatório SONEAR em Minas Gerais – Créditos: SONEAR

Em um dos exercícios dessa campanha, o Apophis foi “redescoberto” e reportado como um novo asteroide. E a partir dessas novas observações, os astrônomos estão seguindo todos os processos, recalculando sua órbita, riscos de impacto com a Terra, prováveis locais afetados e até mesmo discutindo possíveis medidas para redução de danos. O curioso desse exercício é que, até o momento, utilizando as medições feitas desde dezembro, as chances de impacto foram calculadas em cerca de 10%. Isso significa que, se tivéssemos realmente descoberto o Apophis somente agora, estaríamos todos bastante preocupados, já teríamos bares e igrejas lotados e algumas pessoas pelas ruas vestindo placas alertando que “o fim está próximo”.

Obviamente, essas chances devem ser reduzidas à medida que novas observações forem adicionadas aos cálculos, tornando a órbita do asteroide mais precisa, confiável e semelhante à órbita real, calculada a partir de mais de 15 anos de observação.

Grandes telescópios e radares, dos principais observatórios do mundo que trabalham na pesquisa de asteroides, estão aproveitando essa janela de observação para coletar dados mais precisos a respeito da órbita e das características físicas do Apophis. Tudo isso servirá como uma preparação para 2029, quando será necessário medir, com a maior precisão possível, os efeitos desta aproximação na órbita do asteroide. Qualquer mínima variação inesperada pode afastar definitivamente o risco de impacto, ou colocar o Apophis em rota de colisão com a Terra em 2068.


Espectro de refletância do Apophis, observado com IRTF da NASA, compatível com um asteroide tipo Sq (rochoso/metálico) – Imagem: David Polishook/MIT

Somando-se a esse esforço, a NASA cogita a possibilidade de enviar para o Apophis a sonda espacial Osiris-Rex, que atualmente está visitando o Asteroide Bennu. Em setembro de 2023, a sonda trará para a Terra uma cápsula com amostras do Bennu. A partir de então, ela estaria disponível para uma missão adicional, e um dos destinos considerados é justamente o Apophis. Se isso for confirmado, a sonda deve alcançar o asteroide apenas em abril de 2029, pouco depois de sua máxima aproximação com a Terra.

Seria mais uma coincidência interessante, ver Osíris, o deus egípcio da vida após a morte, encontrar Apophis, o deus do caos e da destruição justamente após seu encontro com a Terra que causou tanta preocupação por aqui.

Informações mais detalhadas a respeito do Apophis e da Campanha de Observação de 2021 serão apresentadas durante uma Live, organizada por Cristóvão Jacques no Canal AstroNEOS. Cristóvão é um dos astrônomos do Observatório SONEAR, que participa da campanha, e um dos principais brasileiros envolvidos na busca por novos asteroides próximos à Terra. O evento está marcado para o sábado, 06 de março, a partir das 20:30h. 

 

 

* Marcelo Zurita é presidente da Associação Paraibana de Astronomia – APA; membro da SAB – Sociedade Astronômica Brasileira; diretor técnico da Bramon – Rede Brasileira de Observação de Meteoros – e coordenador regional (Nordeste) do Asteroid Day Brasil

 

Disponível em: https://olhardigital.com.br/2021/03/01/ciencia-e-espaco/o-temido-asteroide-apophis-se-aproxima-da-terra-e-e-vigiado-de-perto-por-astronomos/


















  

sábado, 6 de fevereiro de 2021

50 anos da Apollo 14

 


Há cinqüenta anos atrás, (7 de fevereiro de 1971), a tripulação da Apollo 14 deixava a órbita lunar e se dirigia para casa . Eles assistiram a este "nascer da Terra" ao passo em que se preparavam para orbitar a Lua em seu módulo de comando Kittyhawk. A Terra aparece em uma fase crescente. O terreno com crateras em primeiro plano está ao longo do lado lunar. Claro, enquanto orbita a Lua, a tripulação pôde observar a Terra subir e se pôr. As amostras de rocha coletadas na região de Fra Mauro (local de pouso da missão) incluíam uma rocha de cerca de 10 kg, apelidada de Big Bertha, contendo um provável fragmento de um meteorito do planeta Terra.

sábado, 30 de janeiro de 2021

ESPAÇO - TEMPO - VIDA

Os  piores  anos   de  nossas  vidas


POR NELSON  TRAVNIK


Iniciamos nesse 1º de janeiro, mais uma jornada ao redor do Sol. Nosso planeta na estonteante velocidade média de 29,5 km/s, irá percorrer nesses 365 dias e 5 horas, 942,4 milhões de quilômetros ao redor do Sol, algo que em linha reta nos levaria além da órbita do planeta Júpiter. Isso nos permite algumas reflexões  sobre espaço, tempo e vida.  No mundo atual, como estranhos em nosso próprio habitat, o ser humano vive a Era Espacial  em meio a notáveis conquistas tecnológicas, mas ainda não aprendeu conhecer a grandeza da sua pequenez e da sua estupidez. Multidões não se interessam em saber a luz da ciência e da razão, o que são, onde estão e para onde vão. A maioria vive porque respiram e colocam seu destino final com o preconizado pelas religiões sem questionar o que lhe é imposto pelos livros sagrados. É mais cômodo viver assim. Advindo qualquer infortúnio, é a vontade de Deus, um Deus miserável como eles mesmos insensível a um futuro de sofrimentos que ele sabe irá acontecer.  Concepção esta que não se sustenta mas que ,felizmente, encontrou melhor entendimento na sabedoria milenar de algumas filosofias orientais que a partir dos séculos XIX e XX viriam florescer em novas doutrinas e crenças descortinando o véu do obscurantismo teológico mostrando que a fé nunca pode estar divorciada dos conhecimentos científicos.   


O grande salto viria com Charles Darwin terminando com o homem de barro e a mulher da costela; com Galileu Galilei destronando a Terra do centro do universo e da Criação e com Giordano Bruno e Camille Flammarion dando inicio ao fim do nosso isolamento cósmico.  Esses novos conhecimentos abriu o grande portal da astronomia e ciências biológicas.  Infelizmente eles  ainda encontram-se ausentes na maioria das pessoas que pensam estar vivendo a época mais importante de todas. Doce ilusão de crianças que acariciam suas bonecas ...  Os egípcios, os romanos, só para ficar nesses dois exemplos, cultivavam o mesmo pensamento. O que sobrou de suas civilizações ? ruínas , pedras e pó. Exemplos que a maioria dos humanos não absorveram.


O estudo e a observação do céu é uma experiência de transformação e ampliação da consciência, proporcionando satisfação íntima, conhecimentos científicos e elevação espiritual. Ao final, ela nos mostra que somos simples engrenagens de um universo desconhecido e que na história da Criação, cem milhões de anos passam como um dia; apagam-se, dissipam-se como fugitivo sonho, no seio da eternidade que tudo absorve. Tudo no universo está inexoravelmente preso a marcha do  tempo. E nesse raciocínio, nessa contemplação retrospectiva, surge inevitavelmente uma questão  de cunho filosófico : qual o destino final de todos os seres pensantes que existiram, existem e existirão nos miríades de mundos habitados ?  Como  aqui irão tombar numa sepultura, num crematório para não ser mais nada ? Não cabe aqui enveredar nessa questão pois, no infindável universo, somos como  um grão de poeira ao sabor dos ventos do deserto. O ano que foi certamente será o ano da estupidez. Um vírus letal lançado na humanidade causando uma monumental pirâmide de cadáveres. O ano que vem mostra que, apesar da vacinação, estaremos ainda mergulhados por vários meses num oceano de  incertezas e sofrimentos.   


Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Descubra a história do Hubble em um livro recém lançado e gratuito!

 Por Christopher Gainor


O Hubble Space Telescope (HST) é o instrumento astronômico mais famoso de seu tempo e um dos veículos robóticos mais conhecidos já colocados no espaço.  

Seu lançamento e implantação em baixa órbita da Terra a partir do Space Shuttle Discovery em abril de 1990, parecia cumprir os planos e sonhos dos astrônomos desde o início da exploração espacial para colocar um telescópio além dos efeitos de distorção da atmosfera da Terra.

As primeiras imagens do Hubble no entanto, foram decepcionantes. O espelho principal do telescópio espacial tinha sido retificado precisamente num formato errado.  Embora as imagens do HST ainda fossem superiores a qualquer coisa disponível em telescópios terrestres, o Telescópio Hubble instantaneamente se tornou sinônimo de incompetência.

Com o futuro da NASA em jogo, cientistas e engenheiros, criaram soluções para a aberração esférica que afligiam o Hubble, e astronautas voando na primeira das cinco missões de serviço para o HST, instalaram novos instrumentos que restauraram as capacidades do Telescópio Espacial às prometidas quando foi lançado. 

 Em poucas semanas, o HST produziu imagens de tirar o fôlego e outros dados que os astrônomos e o público esperavam há muito tempo, e logo o Hubble mudou sua imagem anterior ao se tornar um símbolo das proezas tecnológicas e científicas americanas.

"Not Yet Imagined" documenta a história do HST, desde seu lançamento até os primeiros 30 anos de operação no espaço.  Ele se concentra nas interações entre o público em geral, astrônomos, engenheiros, funcionários do governo e membros do Congresso durante esse tempo.  A tomada de decisão por trás das mudanças nos pacotes de instrumentos do Hubble em missões de serviço que fizeram do HST um modelo de cooperação supranacional entre cientistas é registrada, junto com as contribuições do HST para o nosso conhecimento sobre nosso sistema solar, nossa galáxia e nosso universo.  Este livro também cobre o impacto do HST e as imagens que ele produz na apreciação do público pelo universo, e como o HST mudou a forma como a Astronomia é feita.

Atenção leitores ávidos!  📚 Descubra a história do Hubble em um livro recém-lançado sobre a fascinante história do telescópio e seus primeiros 30 anos de operação no espaço.  “Not Yet Imagined” está disponível para download GRATUITO agora.


CLIQUE NA IMAGEM PARA DOWNLOAD



Comece a Ler agora!

Link para download  para a página que tem os downkoasay 

https://go.nasa.gov/35mhPlu

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Alerta de descoberta: planeta encontrado em um sistema triplo de estrelas

 

Pouco depois que a missão Kepler da NASA começou a operar em 2009, o telescópio espacial avistou o que se pensava ser um planeta com cerca da metade do tamanho de Saturno em um sistema de múltiplas estrelas. O KOI-5Ab foi apenas o segundo candidato a planeta a ser encontrado pela missão e, por mais excitante que fosse na época, acabou sendo deixado de lado enquanto Kepler acumulava mais e mais descobertas de planetas.

Ao final das operações da espaçonave em 2018, o Kepler descobriu 2.394 exoplanetas, ou planetas orbitando estrelas além do nosso sol, e 2.366 candidatos a exoplanetas adicionais que ainda precisariam de confirmação.

 “O KOI-5Ab foi abandonado porque era complicado e tínhamos milhares de candidatos”, disse David Ciardi, cientista-chefe do Exoplanet Science Institute da NASA. “Havia escolhas mais fáceis do que KOI-5Ab, e estávamos aprendendo algo novo com o Kepler todos os dias, de modo que KOI-5 ficava esquecido. ”

Agora, depois de uma longa caça que durou muitos anos e muitos telescópios, Ciardi disse que "ressuscitou o KOI-5Ab dos mortos". Graças às novas observações da segunda missão de caça a planetas da NASA, o Transiting Exoplanet Survey Satellite, ou TESS, e uma série de telescópios terrestres, Ciardi foi finalmente capaz de desvendar todas as evidências em torno do KOI-5Ab e provar sua existência. Existem alguns detalhes intrigantes sobre isso para ponderar.

Muito provavelmente trata-se de um planeta gigante gasoso como Júpiter ou Saturno em nosso sistema solar, e devido ao seu tamanho, KOI-5Ab é incomum, porque orbita uma estrela em um sistema com duas outras estrelas companheiras, circulando em um plano que está desalinhado com pelo menos uma das estrelas. O arranjo questiona como cada membro desse sistema se formou a partir das mesmas nuvens rodopiantes de gás e poeira. Ciardi, que está localizado na Caltech em Pasadena, Califórnia, apresentou as descobertas em uma reunião virtual da American Astronomical Society.

 

Pegando a trilha

 

Após sua detecção inicial pelo Kepler, Ciardi e outros pesquisadores pegaram a trilha no KOI-5Ab como parte de um cache de candidatos a planetas que estavam acompanhando. Usando dados do Observatório WM Keck no Havaí, Observatório Palomar da Caltech perto de San Diego, e Gemini North no Havaí, Ciardi e outros astrônomos determinaram que KOI-5b parecia estar circulando uma estrela em um sistema de três estrelas. No entanto, eles ainda não conseguiam descobrir se o sinal do planeta era realmente uma falha errônea de uma das outras duas estrelas, ou, se o planeta era real, e qual das estrelas ele orbitava.

Então, em 2018, surgiu o TESS. Como o Kepler, o TESS procura o piscar da luz das estrelas que ocorre quando um planeta cruza na frente ou transita por uma estrela. TESS observou uma parte do campo de visão de Kepler, incluindo o sistema KOI-5. Com certeza, a TESS também identificou KOI-5Ab como um planeta candidato, embora a TESS o chame de TOI-1241b. Como Kepler havia observado anteriormente, TESS descobriu que o planeta orbitava sua estrela aproximadamente a cada cinco dias.

"Pensei comigo mesmo: 'Lembro-me desse alvo'", disse Ciardi, após ver os dados do TESS. “Mas ainda não conseguimos determinar definitivamente se o planeta era real ou se o “blip” nos dados veio de outra estrela do sistema - poderia ter sido uma quarta estrela.”

 

Pistas nas oscilações

 

Ele então voltou e reanalisou todos os dados, e procurou por novas pistas em telescópios terrestres. Implantando uma técnica alternativa para Kepler e TESS, o Observatório Keck é frequentemente usado para pesquisas de acompanhamento de exoplanetas, medindo a oscilação leve em uma estrela enquanto um planeta circula em torno dela e exerce um puxão gravitacional. Ciardi, em parceria com outros cientistas por meio de um grupo de colaboração de exoplanetas chamado California Planet Search, procurou por quaisquer oscilações nos dados de Keck no sistema KOI-5. Eles foram capazes de provocar uma oscilação produzida pela estrela companheira interna orbitando a estrela primária da oscilação do planeta aparente enquanto orbita a estrela primária. Juntas, as diferentes coleções de dados dos telescópios espaciais e terrestres ajudaram a confirmar que KOI-5Ab é, de fato, um planeta orbitando a estrela primária.

“Bingo - estava lá! Se não fosse por TESS olhando para o planeta novamente, eu nunca teria voltado e feito todo esse trabalho de detetive ", disse ele." Mas realmente levou muita investigação nos dados coletados de muitos telescópios diferentes para finalmente acertar neste planeta. ”

KOI-5Ab orbita a estrela A, que tem uma companheira relativamente próxima, a estrela B. A estrela A e a estrela B orbitam uma a outra a cada 30 anos. Uma terceira estrela gravitacionalmente ligada, a estrela C, orbita as estrelas A e B a cada 400 anos.

 O sistema de estrelas KOI-5 consiste em três estrelas, marcadas A, B e C neste diagrama. As estrelas A e B orbitam uma à outra a cada 30 anos. A estrela C orbita as estrelas A e B a cada 400 anos. O sistema hospeda um planeta conhecido, chamado KOI-5Ab, que foi descoberto e caracterizado usando dados das missões Kepler e TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, bem como telescópios terrestres. KOI-5Ab tem cerca de metade da massa de Saturno e orbita a estrela A aproximadamente a cada cinco dias. Sua órbita é intitulada 50 graus em relação ao plano das estrelas A e B. Os astrônomos suspeitam que essa órbita desalinhada foi causada pela estrela B, que chutou gravitacionalmente o planeta durante seu desenvolvimento, desviando sua órbita e fazendo com que ele migrasse para dentro. Crédito: Caltech / R. Ferida (IPAC)


Uma órbita inclinada

 

O conjunto de dados combinados também revela que o plano orbital do planeta não está alinhado com o plano orbital da Estrela B, a segunda estrela interna, como seria de se esperar se as estrelas e o planeta fossem todos formados a partir do mesmo disco de material em turbilhão. Os astrônomos não têm certeza do que causou o desalinhamento de KOI-5Ab, mas acreditam que a segunda estrela chutou gravitacionalmente o planeta durante seu desenvolvimento, distorcendo sua órbita e fazendo com que migre para dentro. Os sistemas estelares triplos constituem cerca de 10% de todos os sistemas estelares.

Esta não é a primeira evidência de planetas em sistemas de estrelas duplas e triplas. Um caso notável envolve o sistema de estrelas triplas GW Orionis, no qual um disco de formação de planetas foi dividido em anéis distintos e desalinhados, onde os planetas podem estar se formando. No entanto, apesar de centenas de descobertas de planetas em sistemas de estrelas múltiplas, muito menos planetas foram observados do que em sistemas de estrelas únicas. Isso pode ser devido a um viés observacional (planetas de uma estrela são mais fáceis de detectar) ou porque a formação de planetas é de fato menos comum em sistemas de estrelas múltiplas.

“Esta pesquisa enfatiza a importância da frota completa de telescópios espaciais da NASA e sua sinergia com sistemas baseados em terra", disse Jessie Dotson, cientista do projeto do telescópio espacial Kepler no Centro de Pesquisa Ames da NASA no Vale do Silício da Califórnia. "Descobertas como esta pode ser uma longa jornada. ”

Instrumentos novos e futuros, como o instrumento de velocidade radial Palomar no telescópio Hale de 200 polegadas em Palomar, o instrumento NEID da NASA e da National Science Foundation no sul do Arizona, e o Keck Planet Finder abrirão novos caminhos para aprender sobre exoplanetas.

 

Créditos:

https://exoplanets.nasa.gov/news/1667/discovery-alert-a-forgotten-planet-found-in-a-triple-star-system/

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Catena Albufeda - Por Avani Soares (Texto Liza Bruna)


 

A palavra "catena" é um termo latino definido pela União Astronômica Internacional para indicar uma cadeia de pequenas crateras. Uma catena pode ter várias origens, uma delas é a endogênica, se refere a atividades vulcânicas ao longo de linhas, onde ocorreram pequenas erupções no subsolo. Por mais que pequenas catenas ainda sejam classificadas cadeias de poços de colapsos relacionados à atividade vulcânica, acredita-se que a maioria das catenas lunares indique os pontos de rebote expelido por choques maiores. Algumas podem indicar pontos onde a Lua foi tocada por um objeto vindo do espaço que se quebrou antes do impacto, como é frequente no caso de cometas.

Uma cadeia de crateras bem significativa é a catena Abulfeda, apresentada na foto. A catena Abulfeda, também conhecida como “Cadeia de Crateras de Abulfeda", é uma cadeia de crateras com, aproximadamente significativos 210 km de extensão. As quatro maiores crateras de referências na foto são; Abulfeda (à direita, 65 km), Almanon (próximo ao centro, 49 km), Geber (na parte inferior esquerda, 44 km), e Tacitus (na parte inferior direita, 41 Km). Em 1976 a cratera Abulfeda recebeu esse nome em homenagem ao historiador curdo do século XIV Ismael Abul-fida.

Podemos notar, facilmente, a cratera Descartes, que está localizada um pouco acima, no canto superior direito da cratera Abulfeda. A cratera Descartes A encontra-se ao lado da borda direita da cratera Abulfeda. Uma seção da borda externa de Descartes é coberta por uma região que possui um albedo mais alto do que a superfície circundante. Vale ressaltar que, aproximadamente, 50 quilômetros ao norte dessa cratera era o local de pouso da Apollo 16. A região irregular em torno da área de pouso é, às vezes, chamada de Planalto de Descartes ou Montanhas de Descartes.

https://www.astrobin.com/14nsgx/

Foto: Avani Soares

Texto: Liza Bruna

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

LIVRO O MUNDO DA LUA E O CENTENÁRIO DE RUBENS DE AZEVEDO

Muito já se tem falado sobre as comemorações do centenário de nosso grande astrônomo e selenógrafo brasileiro Rubens de Azevedo. E foi através da paixão pela Lua, e pela leitura das obras de Rubens de Azevedo, que surgiu a ideia de reunir o conhecimento técnico e o acervo do observatório numa nova obra sobre nosso satélite. Assim foi tomando forma este novo livro, a ser lançado no próximo ano, com contribuições de grandes nomes da atualidade, como Avani Soares, CEAAL (Romualdo e David), Andrés Estéban de la Plaza, Conrado Serodio, Nelson Travnik, Rosely Grégio e outros. 

Durante a elaboração da obra, ficou evidente a escassa bibliografia brasileira sobre o assunto, caracterizando assim um ineditismo após quase 60 anos sem a publicação de um livro sobre estudo lunar por autor brasileiro. Um dos últimos a que tivemos acesso foi: Lua – Degrau para o infinito, publicado em 1962 pelo então Rubens de Azevedo. Neste ano de 2021, comemorações em homenagem ao centenário de Rubens de Azevedo serão realizadas pelas entidades astronômicas do país. Aproveitamos para dedicar esta obra a este autor, responsável pela divulgação da astronomia e um dos pioneiros do estudo lunar no país.

Cantada pelos poetas e seresteiros, protagonista no verso e na prosa e eterna companheira dos namorados! A Lua sempre foi uma fonte de inspiração poética, de místicas esperanças e crendices populares. Mas o que realmente é a Lua do ponto de vista científico? Nesta obra são exploradas as características e fenômenos que envolvem o único satélite natural da Terra, numa introdução ao estudo daquele que será nosso primeiro ponto de parada antes de partirmos para outros mundos. Com linguagem simples, o autor nos conduz desde a história dos primeiros estudos sobre a Lua, à importância de persistir na busca por conhecer melhor o nosso vizinho celestial mais próximo. E há muito o que prospectar! No momento em que vivenciamos uma nova corrida espacial, desta vez elencada pela iniciativa privada, O Mundo da Lua é um guia pela história deste astro, características de sua superfície, crateras, mares, montes, vales e fenômenos como eclipses, fases e movimentos da Lua. A obra é ilustrada com fotos registradas pelo próprio autor em seu observatório, de astrônomos amigos e complementada com imagens de agências espaciais, tornando a leitura ainda mais realista e interessante.

O livro já recebeu o registro ISBN pela Câmara Brasileira do Livro e será lançado no próximo ano, com data ainda não definida devido a pandemia. Acompanhe-nos em nossas redes sociais (Instagram: @observatoriodumont) e fique por dentro!



sábado, 28 de novembro de 2020

MANCHA SOLAR AR 2786




 

ENAST - 2020

 



O Encontro Nacional de Astronomia (ENAST) será realizado no ambiente virtual em 2020, onde todos, em qualquer lugar do mundo, poderão participar, aprender e interagir com os palestrantes através de várias apresentações!

Infelizmente, no atual formato, não será possível inscrição para apresentação de trabalhos, mas a comissão organizadora está estudando alternativas para que seja viável em um segundo momento.

QUER PARTICIPAR?

É simples! Basta conferir a agenda no website do evento e se programar para assistir as apresentações ao vivo no canal da entidade organizadora no YouTube. Posteriormente, serão concentradas no canal oficial do ENAST. Não perca!

SOBRE O ENAST

Em 2020, como consequência da pandemia, o 23° ENAST, que seria realizado na cidade de Brotas, São Paulo, foi adiado para o próximo ano. Para que não seja quebrada a sequência de eventos, o conselho nacional resolveu promover uma edição virtual, organizada pelas entidades que já realizaram o evento, a fim de trazer ao público um ciclo de palestras, apresentações, debates e mesas-redondas sobre Astronomia.


LINK PARA PRIMEIRA LIVE

https://www.youtube.com/watch?v=8g7-Y3hFfwc&feature=youtu.be&fbclid=IwAR2vPH8IOGZyM-8OS3IZbeTJjE3FD_clmbpw04X0B5w33YTqPqFERn6-Zek

Nesta live inaugural do ENAST Virtual 2020 teremos a seguinte programação com coordenação do Alfa Crucis.

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Cratera Tycho - Colaborações de Avani Soares e Carlos Ayres

     Cratera Tycho - Fotografia de Avani Soares



 

A CRATERA TYCHO E SEU PICO CENTRAL

 

Texto adaptado: Carlos Ayres 

 

Tycho é uma cratera relativamente jovem, com uma idade estimada em 110 milhões anos, com base na análise de amostras dos raios da cratera, recuperadas durante a missão Apollo 17. Esta idade sugere que o agente de impacto, pode ter sido um membro da Família Baptistina de asteroides, mas como a composição do agente de impacto é desconhecida, esta é apenas uma suposição. 

Ela tem cerca de 82 km de diâmetro. O cume do pico central fica a 2 km acima do piso da cratera. A distância do piso de Tycho até a borda é de cerca de 7,5 km.

Ela é uma proeminente cratera lunar localizada nas colinas próximas ao pólo Sul da Lua, um alvo muito popular entre os astrônomos amadores, As coordenadas lunares dessa cratera são: 43,37 ° S e  348,68 º E. Ela foi batizada em homenagem ao astrônomo dinamarquês Tycho Brahe (1546–1601).

A superfície em torno de Tycho é repleta de crateras de vários tamanhos, muitas crateras sobrepondo crateras ainda mais velhas. Algumas das crateras menores, são crateras secundárias, formadas a partir de pedaços maiores ejetados de Tycho. A cratera Tycho é considerada a maior cratera lunar vista na parte visível e pode ser vista perfeitamente a olho nu, durante uma Lua Cheia no Perigeu, como a de hoje.

A cratera é bem definida, ao contrário de crateras mais antigas que foram degradadas por impactos subsequentes. O interior tem um grande albedo, que é proeminente quando o Sol está acima. A cratera é cercada por um bem distinto sistema de raios, com longas formações que se estendem por até 1.500 quilômetros de extensão! Seções destes raios, podem ser observadas mesmo quando Tycho está iluminada apenas pela luz cinérea. 

 

O Complexo do Pico central da Cratera Tycho:

 

O complexo central de pico da cratera Tycho, mostrado aqui nessa montagem que fiz, tem cerca de 15 quilômetros de largura. Em 27 de maio de 2010, o satélite da NASA que orbita a Lua agora, chamado de Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), capturou uma vista de cima para baixo do cume, incluindo a grande pedra vista no cume da montanha que aparece aqui, em duas imagens da NASA. Da base até o cume da montanha, o pico dessa cratera tem cerca de 2,1 km de altura (3 x mais alto que o morro do Corcovado, onde está  Cristo Redentor). 

 

Observe também, o depósito de material fundido por impacto fraturado que circunda essa pedra. Essa pedra tem mais ou menos 100 metros de tamanho!

 

Imagens: 

Avani Soares - Observatório Parsec

Carlos Ayres / NASA - LRO